19
dezembro
James Cameron – Avatar
Em "Crítica, Filmes" | Tags: 3d, avatar, awesomeness, Filmes, resenha
É difícil escrever qualquer coisa sobre Avatar sem ser redundante, porque existem poucas palavras que traduzem a sensação de “uau” desse filme. Basta dizer que esse é um filme de 3 horas e que se o projecionista do cinema apertasse o “replay”, você ficaria feliz no cinema por outras três.
O filme inteiro é surpreendente, visualmente tudo o que você vê na tela é palpável, tudo parece possível. No final do filme, você sai acreditando que Pandora, a lua em que a história acontece, realmente existe e que você pode passar suas próximas férias lá.
No quesito roteiro, o filme também não deixa nada a desejar. Não estou dizendo que seja um filme complexo, mas é um roteiro blindado, não há grandes furos e você não tem aquela sensação de que as decisões dos personagens são imbecís. Assistir Avatar é como ouvir aquela música favorita, a profundidade do conteúdo normalmente é irrelevante perto da carga emocional que ela te proporciona.
O que o trailer te vende é só a primeira metade do filme. Das quase três horas de projeção, você só tem uma idéia do que vai acontecer na primeira. Essa é a parte do filme que te introduz os personagens e que quase nada acontece. E quando eu digo “quase nada” eu quero dizer muito mais do que em qualquer outro filme que eu já tenha visto. Isso é, aliás, o que faz de Avatar um produto genuíno James Cameron. Nenhuma cena de ação é descartável, nada que acontece na tela é desnecessário. Em toda cena, literalmente em TODA cena, tem alguma coisa na tela que impressiona.
A segunda parte do filme, depois que todas as decisões são tomadas e você começa a enxergar a ter uma noção do rumo da história, o filme que era muito bom se torna épico.
Particularmente, meus olhos lacrimejaram umas duas vezes durante o filme e não foi necessariamente porque eu me emocionei com a história ou porque os óculos 3D forçaram meus olhos; a sensação de realização e grandeza no filme é tão grande que eu imagino ser impossível, ou no mínimo muito improvável, que alguém não se arrepie com o filme.
Por falar em 3D, se você ainda não viu Avatar, veja em 3D. Se você já viu Avatar e não foi em 3D, veja em 3D. A experiência é única. Aqui no Brasil, onde nem o Blu-Ray pegou direito, você provavelmente vai demorar bastante pra conseguir ver o filme em 3D no conforto do seu lar. Então vá ao cinema e veja Avatar 3D. A jamescameronisse do filme é evidente até nisso. A profundidade do filme é como nenhuma outra. Avatar não é um filme que tenta te jogar coisas na cara ou te fazer esquivar na cadeira a cada cinco minutos. Na verdade são poucas as cenas em que as coisas realmente saem da tela; a impressão que dá é que a intenção é justamente o contrário, é te fazer entrar na tela. E conseguem.
Eu fui bem cínico, pra não dizer só cético, com todo o hype de que Avatar seria um filme revolucionário e que marcaria época, mas agora eu tenho que admitir que o filme cumpriu o prometido. O cinema agora tem um novo messias e é justo dizer que estamos vivendo agora a era Depois de Avatar. É difícil fazer esse tipo de previsão, mas eu acredito verdadeiramente que em 10, 20 anos, Avatar será um clássico; um filme com pouco potencial de envelhecimento; um Mágico de Oz, muito mais que qualquer Star Wars ou coisa que o valha.
Se você já viu Avatar, sinta-se livre para concordar comigo. Se ainda não viu, não veja nada além do trailer e corra para a sala de cinema 3D mais próxima da sua aldeia e vá ver o melhor filme já feito!
13
dezembro
Atividade Paranormal
Em "Filmes" | Tags: atividade, Filmes, paranormal, resenha
Eu gosto de filmes de terror, mas nos últimos anos parece que eles, lá em Hollywood, decidiram chamar de terror os filmes com pornografia de açouge; filmes com gente sendo mutilada e muito sangue escorrendo pela tela. Aí surge Paranormal Activity e eu acho que pouca gente esteve tão empolgada quanto eu quando o trailer desse filme surgiu. Diga-se de passagem, toda a campanha de marketing de Paranormal Activity foi genial, desde o trailer até aquela história de você ter que pedir para o filme passar na sua cidade.
Uma coisa eu não posso negar, Paranormal Activity cumpre com o que promete. As pessoas na sala realmente ficam tensas e gritam. Teve até “briga” na sessão que eu vi o filme de gente reclamando dos barulhos de susto de umas meninas quase histéricas na fileira de trás. Ainda assim, eu consegui ficar frustrado.
Eu criei uma espectativa muito grande sobre o filme, eu realmente acreditei que seria um filme que me daria vários sustos e que quando eu chegasse em casa ficaria repassando as cenas na minha cabeça e ficaria tenso. Não foi o caso.

Talvez isso tenha acontecido justamente por eu ter visto o trailer várias vezes mostrando pra várias pessoas, mas todas as cenas de susto estão no trailer. Eu já esperava que o lençol fosse levantar, eu já esperava que alguém fosse arremessado na câmera, eu já esperava que o lustre fosse balançar… E foi isso.
Paranormal Activity é um filme que provoca dois tipos de reação e dois tipos de reação apenas: ou você sai muito chocado, dizendo que é o filme mais assustador e tenso da sua vida ou, se tiver senso de humor, sai rindo.
Os protagonistas são bem burrinhos também; são o tipo de gente que faz você torcer pra assombração. No fundo parece que todos os problemas do filme poderiam ter sido evitados se alguém tivesse ido na sala, ligado a televisão e o videogame, iniciado uma partida de Street Fighter 4, deixado um controle em cima da mesa e dito: “não estou te convidando, mas se quiser jogar, o controle está aí em cima”.
Por falar em torcer pra assombração, eu acho que pouca gente entendeu o que realmente estava acontecendo ali. Até onde me consta, a assombração era a vítima da história, um romântico irremediável, apaixonado pela protagonista, Katie, e que se contentava em estar ao lado dela, sem que ela sequer soubesse. Ele até suportava a dor de ver Katie com outro, mas conforme as decisões do cara começam a se tornar cada vez mais imbecís e sem consideração pelos sentimentos dela, William – o nome que eu decidi dar pra assombração, pra não ter que chamar ele de “fantasma” ou “demônio” – decide tomar decisões drásticas para ter o amor da sua vida – ou pós-vida – ao seu lado. Em um certo momento eu também comecei a achar que fosse o espírito de um tiranossauro, mas essa teoria eu não consegui desenvolver muito bem ainda.
De qualquer forma, não vou dizer nada sobre o final do filme, mas eu me sinto obrigado a alertar uma coisa: é péssimo. Não digo péssimo no sentido de “ah, eu não queria que isso acontecesse”, mas sim no sentido de “ah, assim?”. Tem um final alternativo na internet, que foi trocado na versão de cinema pra dar possibilidade de continuação ou coisa assim, mas ainda que esse final alternativo seja consideravelmente melhor que o final exibido, eu sugiro outra coisa. Quando chegar a cena da 21ª noite, levante da poltrona, saia do cinema e veja esse vídeo:
Faz muito mais sentido que os dois final oficiais e você provavelmente vai gostar bem mais do filme.
Resumindo, Paranormal Activity é um filme bom. Não é um filme ótimo, ele é bastante previsível e artificial pra premissa de “câmera pessoal”, mas vale a pena ser visto, principalmente com pessoas que assustam fácil.
19
outubro
Distrito 9
Em "Crítica, Filmes" | Tags: cinema, distrito 9, Filmes, resenha
A tendência cinematográfica de 2009 é colocar 9 no título dos filmes. Dois filmes, inclusive, têm exatamente esse nome – alguém até pode argumentar que um é “9″ enquanto o outro é “Nine”, mas eu não dou a mínima e continuo reclamando. Distrito 9 é um dos que seguem essa tendência.

Normalmente eu copiaria a sinopse do filme do site de algum cinema, mas dessa vez eu vou tentar descrever o filme com as primeiras palavras que saíram da minha boca quando saí do cinema: Me disseram que seria o mais próximo de um filme de Halo que eu veria pelos próximos anos, mas eu saí com a impressão de que assisti um filme de The Office.
A história é simples: uma nave enorme surge sobre Johannesburgo, na África do Sul. Durante 3 meses a nave só fica lá, flutuando, até que as pessoas cansam, arrombam as portas e tentam se apresentar a força. O que eles encontram são aliens insetóides que estão desnutritos e debilitados. Os aliens são mal vistos pela população humana e movidos e restritos ao Distrito 9, que em pouco tempo se torna uma favela e uma zona militarizada. A idéia é que o filme seja uma metáfora ao Apartheid, mas acaba sendo uma metáfora a uma metáfora.
O filme é apresentado em um formato misto, parte ficção tradicional, parte documentário. Poucos filmes fazem isso bem e Distrito 9 não é um deles. Todas as referências que deveriam ser sutís são escancaradas de uma maneira tão explícita que é como se o diretor estivesse te chamando de burro.
E o filme é comprido, muito comprido. Esse tempo ainda é mentalmente esticado com um protagonista tão irritante que você passa o filme todo esperando que ele morra. Demorei pra entender que Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) não era o Michael Scott tentando imitar o Borat e quando finalmente consegui, o filme acabou.
Mas não me deixe te enganar com minha decepção, Distrito 9 é bom, ou pelo menos bom o suficiente. Meu problema com o filme é que o trailer e toda a empolgação na internet me fizeram esperar outro filme. Eu poderia ir ao PROCOM e pedir meu dinheiro do ingresso de volta, já que o filme que eu assisti não foi o que o trailer me vendeu. De qualquer forma, se você tiver tempo livre (bastante tempo livre) e poucas expectativas, o filme pode te surpreender. Por 10% do orçamento de Transformers 2, Distrito 9 alcança praticamente o mesmo nível fantástico dos efeitos especiais e é difícil acreditar que os “camarões” não existem.
Oficialmente minha recomendação é que assista o filme, mas se houver a opção de ver Bastardos Inglórios antes, veja. Outra opção é esperar chegar em DVD, mas não tente assistir alcoolizado ou você pode esmurrar sua televisão.

8
julho
Transformers 2
Em "Crítica, Filmes" | Tags: cinema, filme, transformers
Sou chato, não gostei do primeiro filme, mas eu realmente estava no clima de ver coisas explodindo. Cheguei cedo para o filme, comprei meus ingressos, sentei no lugar de sempre e cruzei os dedos para que a sala não lotasse. Não lotou, mas quem apareceu era imbecil. Todas as pessoas, sem exceção. Se tem uma coisa que eu não costumo questionar é matemática, e a dura realidade é que, por estar naquela sala, eu provavelmente também sou imbecil.
Na fileira da frente um grupo de oito “pessoas”, com ênfase nas aspas, entraram fazendo barulho e gritando “cus e putos”. Uma menina no meio de sete moleques de boné para o lado. Odeio gente que usa bonés em ambientes fechados, mais ainda quem usa boné para o lado. A direita, um casal e um candelabro. A menina insistia em defender que Marley & Eu era um bom livro, enquanto o candelabro insistia que era triste porque o cachorro morria no final. O fato é que os dois estão errados. Um livro sobre um cachorro só pode acabar de um jeito e não é com ele se tornando presidente.
À minha esquerda, na fileira imediatamente abaixo, outro casal. Inofensivos, aparentemente, mas se estavam naquela sala, devem ser imbecis.
Os trailers foram: Harry Potter, G.I/Joe, Os Normais 2 e A Proposta. A cereja do bolo foi um beijo da Emma Watson. Ano passado, no dia do exame do DETRAN, tinha uma moça bem parecida e eu quase a pedi em casamento, mas aquele foi o único dia em que não carreguei a aliança que comprei para essas ocasiões.
O filme começa. Toda vez que ouço o título “Transformers”, acho que é algum filme indie sobre transformistas atravessando os Estados Unidos, mas este é Priscilla. Se você quer ver coisas explodindo, Transformers, a Vingança dos Derrotados é o filme. Eles explodem pontes, prédios, bibliotecas, a China, carros, porta-aviões, rodovias, pirâmides e tudo o que tiver potencial de explodir.
Eu achei que no primeiro filme Michael Bay tivesse se superado ao fazer robôs com lábios, mas neste filme ele alcançou um grau totalmente novo de insanidade com robôs que respiram e andam de bengala. Desculpa estragar a surpresa se você ainda não viu o filme, mas sim, os robôs andam de bengala.
O resto do filme é OK. Não bom, não ruim, só OK. Vale a entrada, mas não vale o DVD. Eles se esforçam para tentar fazer você se preocupar com os personagens, mas não conseguem. O papel de Shia LaBeouf é correr e gritar com cara de medinho abaixado no canto das cenas, só isso. Megan Fox, por outro lado, interpreta com maestria seu papel de ser gostosa. Ela só está lá pra isso, e nós, portadores de cromossomos XY agradecemos imensamente. Em um filme cheio de referências aos testículos, é bom reforçar nossa masculinidade com alguém como Megan Fox na tela. O único personagem carismático é Bumblebee, o Camaro amarelo, talvez justamente por não ter nenhuma fala.
No primeiro filme quase tudo virava robô, nesse filme eles removeram o quase. Há transformers que viram gente, transformers que viram carros de controle remoto e transformers aspiradores de pó. O engraçado é que o transformer que “morfa” em um carro de controle remoto tem um papel razoável no filme e desaparece sem nenhuma explicação. Em um momento ele está lá, no outro, não está.
Mas isso tudo é senso comum. Na verdade reclamar deste filme por falta de veracidade e originalidade é exatamente o motivo que me coloca entre os imbecis da sessão das 21:10 no Cinemark. O resumo é que Transformers: A Vingança dos Derrotados é um filme que empolga, te faz dar umas risadinhas de “Pega ele Optimus!” e tem, provavelmente, os melhores efeitos especiais do ano. Você não vai sair do cinema querendo encomendar o BluRay, mas vai ter um certo receio de entrar no carro quando chegar no estacionamento.


Yves. Viciado em cafeína e estimulantes passa as madrugadas em claro e as manhãs na cama. Possível jornalista, publicitário ou filósofo decidirá ao longo do caminho qual dessas opções o fará milionário. Refere a si próprio na terceira pessoa do singular, o que pode classificar alguma demência. "Leio, reclamo e escrevo".
